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PORQUE TANTOS EMPREENDIMENTOS FRACASSAM LOGO
NO PRIMEIRO ANO?
por
Leonardo Hoff dos Santos
Apesar de os índices de fracasso das empresas
nos primeiros anos já terem sido amplamente
divulgados por inúmeras instituições
relacionadas ao empreendedorismo, percebemos que muitos
empreendedores “de primeira viagem” ainda
não tiveram acesso a estas informações,
e nem mesmo a comunidade alheia ao desejo de ter um
negócio próprio tem ciência de
que esta taxa é bastante elevada.
Inúmeras
fontes citam que o índice de mortalidade das
pequenas empresas já no primeiro ano atinge
a 60%, e alcança 90% dos empreendimentos até
seu 5.º ano de vida (ou “sobrevivência”).
Na balança, os principais motivos são:
-
Ausência de um planejamento adequado;
- Falha ou ausência de uma análise de
viabilidade;
- Equívoco na concepção do negócio
(por alienação mercadológica).
Assim,
no primeiro ano, ocorre que muitos negócios
fecham porque não tiveram uma proposta formulada
com base em informações adequadas sobre
as oportunidades e ameaças existentes no mercado,
uma falha absurda em tempos em que “é
preciso ser o melhor” (em preço, em produto,
em atendimento, em custos etc).
Isto
se deve ao despreparo dos proprietários, que,
afoitos e ávidos de ter seu próprio
negócio, acabam por esquecer esta etapa tão
importante, sem a qual não é possível
definir e adotar mecanismos de acompanhamento e controle
que, por exemplo, permitam buscar um realinhamento
caso algo não saia como o esperado, ... simplesmente
porque sem um processo racional de previsão
é praticamente impossível saber ao certo
o que se esperar!
Se
a atual dinâmica do mercado é constante,
e muito acelerada, ... e os hábitos, necessidades
e desejos dos consumidores se alteram muito rapidamente...
então se faz, também, necessário
estar preparado para acompanhar essas tendências...
e, de preferência, estar na linha de frente...
inclusive para se oferecer ao cliente aquilo que ele
ainda nem sabe que quer ou que precisará.
A
visão míope de que "se o negócio
está bem, está ótimo" -
perigosamente aliada à falta de visão
ou de busca de soluções alternativas
futuras – é uma situação
que está bastante próxima do pequeno
e médio empresário, o que é um
terrível equívoco... pois é como
estar assinando a própria certidão de
óbito. E é por aí que "se
vão à breca” aqueles negócios
que sobrevivem ao primeiro ano.
É
necessário, sim, ter consciência dessa
dinâmica de mercado para que se possa acompanhá-la,
oferecendo uma constante renovação de
propostas que, em sintonia com as necessidades do
mercado, tenham a preocupação de manterem-se
adequadas tanto ao hoje quanto ao amanhã. E
é claro que não devemos ignorar o passado,
que é uma grande fonte de aprendizado.
Para
isso, a empresa não deve ter apenas lucro suficiente
para sobreviver. É preciso querer mais (e obter
mais!), é preciso analisar as tendências,
prever o futuro, traçar metas claras e, sobretudo,
investir para realizá-las no médio e
no longo prazo, caracterizando-se em um processo objetivo,
mas controlável, e com flexibilidade de realinhamento.
Também
precisamos olhar para funcionários e enxergar
que estes precisam ser bem treinados para estarem
alinhados com os objetivos do negócio; os ativos
imobilizados precisam ser constantemente renovados;
os investimentos em marketing devem ser contínuos
para surtir efeitos constantes; os negócios
devem ter um fluxo de caixa saudável e, ainda,
gerar um bom retorno sobre o capital investido (vejam
no final alguns índices para comparação).
Os
principais erros que se percebe em um empreendimento
já implementado podem ser agrupados nas seguintes
formas:
1- Falta empatia (“enxergar” o problema
e a solução pela perspectiva do cliente)
tanto aos proprietários quanto ao pessoal do
atendimento;
2-
Os clientes não percebem motivos que os estimulem
a ter confiança ou credibilidade (não
se percebe uma cultura para “solucionar os problemas
dos clientes”);
3-
A comunicação com os clientes e com
o mercado é equivocada;
4-
O dono do negócio é o Comandante Bombeiro
(pois envolve-se demais " apagando incêndios"
em seu negócio e não dedica um tempo
para o repensar);
5-
Falta energia (ou motivação) para demonstrar
interesse em solucionar o problema do cliente “como”
e “quando” este deseja;
6-
Inexistência de comprometimento das equipes
envolvidas em todos os processos, e de busca de melhorias
contínuas;
7-
Falta aos colaboradores uma correta compreensão
sobre a empresa e seus objetivos;
8-
Há um desconhecimento sobre os custos envolvidos,
sobre os processos mais valorizados, sobre as habilidades
técnicas necessárias e sobre a disponibilidade
e aplicação de ferramentas de gestão;
9-
Ausência de organização, de foco
e orientação para os objetivos.
Podemos
citar, também, os quatro principais caminhos
que sinalizam para a derrocada de um negócio:
-
Mudança de sede orientada exclusivamente pela
redução de preços de aluguel;
-
Redução do número de funcionários,
prejudicando a qualidade dos serviços e do
atendimento ( motivos que afastam os clientes);
-
Redução dos preços de venda,
comprometendo as receitas e a lucratividade, o fluxo
de caixa e retorno aos investidores;
-
Tomada de empréstimos para “tapar os
furos” do negócio, investindo recursos
financeiros sem a devida análise de viabilidade
e retorno ou sucesso.
Principais
motivos pelos quais se perde um cliente:
1.º)
por insatisfação com a atitude do pessoal
(má qualidade nos serviços e no atendimento);
2.º) por desapontamento com o desempenho (performance)
dos produtos/serviços (solução
esperada);
3.º) por achar que os preços são
elevados (em relação à concorrência
ou qualidade do produto/serviço);
4.º) por outros motivos como mudanças
de hábitos, fim de uma necessidade etc.
Dados
para comparação e análise dos
negócios das Micro e Pequenas Empresas (Fonte:
Sebrae Nacional):
-
Rentabilidade média (lucro/investimentos) =
3% ao mês (36% ao ano);
- Lucratividade média (lucro/receita) = 5%
a 10% (setor industrial e comercial);
- Lucratividade média (lucro/receita) = 15%
a 20% (setor de serviços);
- Valor agregado* = R$ 0,37 (contra R$ 0,24 para médias
e grandes empresas).
*Valor
Agregado (VA) é o valor que se agrega à
economia para cada unidade monetária (R$1,00)
faturada.
Com todas estas informações, fica bastante
claro que não é assim tão fácil
ser empreendedor, pois este precisa encarnar vários
personagens que lhe exigem uma grande habilidade,
dedicação e contínua aprendizagem.
Concluímos
desejando que todos reflitam sobre o assunto sem perder
sua motivação para empreender, mas sim
buscando informações e conhecimentos,
e fazendo um minucioso planejamento para assegurar
o sucesso de seu empreendimento.
Leonardo
Hoff dos Santos (www.advantageconsultoria.com.br)
é Administrador especialista em Marketing pela
Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pós-graduando
em Controladoria de Gestão, atua como consultor
em Gestão de Negócios e em Gestão
Estratégica de Marketing pela Advantage Assessoria
e Consultoria Mercadológica Ltda., sediada
em Porto Alegre – RS
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