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PLANEJAMENTO E CONTROLES FINANCEIROS
por
Advance Marketing
Conheço vários executivos que são
apaixonados por suas empresas. São capazes
de executar muitas funções diferentes
na empresa. Participam ativamente no desenho e criação
de novos produtos e serviços – assegurando-se
que todos os mínimos detalhes foram pensados
e atendidos, com brilhantismo e criatividade. São
os melhores vendedores da empresa – a paixão
que eles têm pelos produtos e serviços
contagiam os clientes e os funcionários.
Contudo, quando chega na hora de planejar e controlar
as finanças da sua empresa, via de regra, este
executivo brilhante e criativo torce o nariz e deixa
esta tarefa para seu contador.
É aqui que mora o perigo. Existe uma grande
diferença entre a visão contábil
e a visão gerencial das finanças da
sua empresa. Cuidado para não transformar um
exercício de planejamento estratégico
em exercício de controle contábil.
Muito bem... mas como faço para estruturar,
planejar e gerenciar as finanças da minha empresa?
Vou falar, bastante resumidamente, sobre algumas metodologia
e melhores práticas usadas e recomendadas pela
ADVANCE Marketing – aplicadas em mais de 300
empresas. Caso você queira conhecer detalhadamente
as metodologias, ou queira adquirir a consultoria
da ADVANCE Marketing, entre em contato através
do e-mail: advance@advancemarketing.com.br
PLANEJAMENTO E CONTROLES
FINANCEIROS EM 7 PASSOS:
Passo 1
– Entendendo suas
finanças
Vamos ter que iniciar este fascículo explicando,
da maneira mais simples possível, alguns termos
financeiros que são largamente utilizados.
1. Custos x Despesas
Ambos são “gastos”. A diferença
é que os custos estão diretamente ligados
à produção dos produtos e serviços
da sua empresa, por exemplo, se você é
uma indústria de bebidas então a compra
da matéria-prima (vidros, garrafas, rolhas,
etc.) e os gastos com a linha de produção
(equipamentos) são custos. Como despesas temos
conta de água, energia, aluguel do escritório,
etc. Esta classificação é importante
para que você possa analisar o quanto está
investindo em seus produtos e serviços.
2. Fixos e Variáveis
Os gastos, tanto custos quanto despesas, podem ser
classificados em variáveis – quando acontecem
esporadicamente, e fixos – quando acontecem
periodicamente. Esta classificação é
importante para que você possa analisar os gastos
recorrentes e projetar adequadamente sua necessidade
de caixa para pagá-los.
3. Faturamento
É o total de vendas da sua empresa
4.
Lucro (Lucratividade ou Rentabilidade)
É o quanto sua empresa está se beneficiando
pela venda dos produtos ou serviços, ou seja,
o faturamento subtraído dos gastos (custos
e despesas) e impostos.
Passo
2 – Plano
de contas
O plano de contas é uma lista de contas que
serão utilizadas para a consolidação
das transações financeiras da sua empresa.
Por exemplo:
Conta / Descrição:
1 Receitas
1.1 Receitas provenientes de vendas para clientes
1.2 Ganhos com aplicações financeiras
2 Despesas
2.1 Salários e encargos
2.1.1 Salários de funcionários
2.1.2 Férias
2.1.3 Horas extras
Veja que a numeração ajuda muito na
classificação e organização.
Normalmente os contadores têm vários
planos de contas padrão já montados,
e, antes de iniciar as operações da
empresa escolhem o plano que mais se assemelha com
os negócios desta nova empresa. Recomendamos
alguns cuidados especiais:
Revise, junto com seu contador, o seu plano de contas.
Ninguém conhece sua empresa e seus negócios
melhor do que você. Talvez você tenha
que criar novas contas para poder gerenciar melhor
a empresa.
Procure deixar uma cópia do plano de contas
sempre à mão.
Cada vez que você for enviar uma nota de despesa,
cópia de cheque, ou qualquer outro documento
para contabilização, procure anotar
no documento a “conta” na qual deverá
ser contabilizada a transação. Tenho
alguns clientes que juntam um monte de notas fiscais
e mandam para o contador, que tenta adivinhar a natureza
do gasto, e, com alguma freqüência aloca
a despesa em uma conta incorreta por falta de informações
adequadas.
Tenho visto que algumas empresas utilizam-se de dois
planos de contas distintos – um para dar a visão
contábil e outro para dar a visão gerencial.
Para uma empresa de porte pequeno ou médio,
este procedimento pode ter um custo/benefício
desvantajoso – seria bem melhor elaborar e controlar
muito bem um único plano de contas.
Para empresas maiores pode-se implementar, também,
o conceito de centro de custo, ou seja, o departamento
ou grupo que originou a transação (receita
ou despesa) financeira. Desta forma posso tirar relatórios
consolidados pela conta (do plano de contas) e pelo
centro de custo.
Passo 3 – Histórico
financeiro
Vamos começar a analisar os dados financeiros
da sua empresa. Se sua empresa utiliza um software
de gestão empresarial (ERP) você poderá
extrair vários relatórios para análise.
Recomendamos que você utilize uma planilha ou
relatório da seguinte forma:
Crie 14 colunas. Na primeira coluna coloque as principais
contas do seu plano de contas, por exemplo:
# Receitas
- Venda de produtos
- Venda de serviços
- Locação
# Despesas
- Aluguel
- Conta de luz
- Conta de telefone
- Acesso à Internet
- Salários
- Impostos
Nas colunas 2 a 13 – coloque os meses de Janeiro
a Dezembro – consolidando as receitas e gastos
mês-a-mês.
Na coluna 14 – coloque o total, ou seja, a somatório
dos meses.
Importante: alguns clientes criam uma linha de “outros”
para consolidar receitas ou gastos de menor valor.
Contudo, algumas vezes estes “outros”
acabam virando grandes “buracos negros”
escondendo uma série de ineficiências
operacionais ou problemas de gestão financeira.
Certifique-se de que você sabe o que está
sendo consolidado em “outros”.
A análise do histórico financeiro vai
permitir que você:
1. Verifique se as contas do plano de contas estão
com um nível de detalhes suficientes para você
gerenciar sua empresa.
2. Identifique a sazonalidade das receitas e despesas,
que será importantíssimo para fazer
as projeções e o planejamento para o
próximo período fiscal. Por exemplo,
você poderia identificar que, no seu ramo de
atuação, os meses de Janeiro e Fevereiro
representam muito pouca receita, e que o mês
de Dezembro tem, sempre, um valor alto de despesas
com salários.
3. Identifique quais foram as maiores fontes de receitas,
e, as maiores despesas. Desta forma você poderá
atuar em minimizar os custos e maximizar os ganhos.
Com base na planilha procure responder como você
poderia aumentar a lucratividade da sua empresa.
Passo 4 – Indicadores
de desempenho
Vamos escolher os indicadores para medir o desempenho
financeiro da sua empresa. Para empresas jovens costumamos
analisar o faturamento (vendas) da empresa. À
medida que a empresa amadurece, ela passa a ter que
se preocupar, também, com a qualidade das vendas,
ou seja, a rentabilidade. Em um estágio ainda
mais avançado a empresa passará a utilizar
indicadores sofisticados como EVA (Valor Econômico
Agregado), ROI (Retorno sobre Investimento), Margem
de Contribuição, etc.
O importante é que você, no início
do ano fiscal, estabeleça as metas para os
indicadores escolhidos e para cada um dos trimestres,
levando em consideração a sazonalidade
de vendas e gastos. Por exemplo, digamos que sou uma
empresa jovem e vou analisar apenas o faturamento,
sendo as metas:
1. Trimestre 1 - $ 500.000 lembrando que Janeiro e
Fevereiro são meses “fracos”
2. Trimestre 2 - $ 700.000
3. Trimestre 3 - $ 700.000
4. Trimestre 4 - $ 1.000.000
Recomendamos que você analise, mensalmente,
a evolução dos seus indicadores escolhidos.
Desta forma, se o mercado mudar ou se a sua empresa
estiver com desempenho abaixo do esperado você
poderá tomar as medidas adequadas antes de
finalizar o trimestre.
Quando a empresa é jovem ela normalmente utiliza
o indicador de “sobrevivência”,
ou seja, o dinheiro que ela tem em caixa dividido
pelo valor mensal de seus gastos, o que vai resultar
no número de meses que a empresa poderá
viver com o dinheiro que tem em caixa.
Passo 5 – Cenários
e projeções
Chegou a hora de fazermos as previsões sobre
o futuro financeiro da sua empresa. Calma, você
não vai precisar de uma bola de cristal, mas
sim, de algumas dicas simples:
Antes de mais nada, você vai consultar jornais,
revistas e a Internet para saber as previsões
macro-econômicas do seu país:
- Qual a inflação projetada?
- Qual a previsão do câmbio de dólar?
(essencial se você importa ou exporta, ou, se
vende para quem importa ou exporta).
- As alíquotas de impostos mudarão?
Quanto e quando?
Agora vamos olhar as tendências do mercado.
Aqui você poderá pesquisar, também,
em revistas, jornais e Internet, ou, ligar para associações
de classe, fornecedores, ou mesmo clientes. Normalmente
os empresários e diretores estão sempre
atentos ao mercado e tem uma idéia do que vai
acontecer:
- Quanto você acha que o seu mercado vai crescer
(ou diminuir) no próximo ano?
- Quais são os eventos que acontecerão
e que podem impactar seus negócios (eleições,
jogos olímpicos, copa do mundo, etc.)?
Agora chegou a hora de olhar para a sua empresa:
- Quanto você acha que sua empresa vai crescer?
- Qual a previsão de gastos?
- Pretende fazer investimentos em novos produtos e
serviços?
Escreva todas as respostas em uma grande folha de
papel e veja como elas impactarão as receitas
e os gastos da sua empresa. Não esqueça
de anotar o seu raciocínio e porque você
tomou as decisões – no final do trimestre
você poderá comparar e ajustar suas expectativas.
Agora que você tem o cenário com as previsões
de mudança para o seu país, o seu mercado
e para sua empresa, está na hora de fazer a
projeção financeira da sua empresa.
Utilize o modelo da planilha que fizemos no “Passo
3 – Histórico Financeiro” –
os dados históricos servirão de guia
para você planejar (projetar) as receitas e
gastos para o próximo ano fiscal. Não
esqueça de acompanhar e controlar, mês-a-mês,
este planejamento. Caso não tenha histórico,
faça uma média dos gastos X receitas
até o momento.
Passo 6 – Fluxo
de caixa
Um dos instrumentos mais importantes para o empresário
é o fluxo de caixa. Nele você terá
visibilidade de todos os eventos financeiros programados,
ou seja, quando os seus clientes irão pagar
e quando você terá que pagar cada um
dos fornecedores ou parceiros. Se você usa um
sistema de gestão empresarial (ERP) certifique-se
que o contas-a-pagar e o contas-a-receber estejam
sendo registrados adequadamente, e, extraia o relatório
“fluxo de caixa” periodicamente (eu recomendo
semanalmente).
Eu normalmente utilizo uma planilha muito parecida
com a que utilizamos no “Passo 3 – Histórico
Financeiro” com a diferença de que nas
colunas eu coloco os valores semana-a-semana e não
mês-a-mês. Desta forma consigo um gerenciamento
muito melhor e mais apurado. Eu me reúno com
meus diretores, semanalmente, discutimos as oportunidades
de negócios e de investimentos, e, atualizamos
o fluxo de caixa com as novas expectativas de receitas
e gastos.
Com o fluxo de caixa atualizado eu consigo ter visibilidade
se a empresa terá falta ou sobra de caixa –
e em que semana isto acontecerá.
Passo 7 – Impostos
e encargos
Se você fez a planilha do “Passo 3”,
então, você deve ter verificado que os
impostos e encargos irão consumir uma boa fatia
do seu faturamento e você deverá estar,
constantemente, atento para as mudanças de
lei que impactarão sua carga tributária.
É extremamente difícil prestar informações,
dar dicas ou falar de melhores práticas com
relação a este assunto através
de um artigo como este – porque o número
de variáveis é imensa. Os impostos e
encargos dependem de onde está localizada sua
empresa, do seu ramo de atividade, da forma como você
faz os negócios, entre outros. Vamos, então,
dar apenas algumas dicas, mas, talvez depois de ler
este artigo, você queira contratar uma consultoria
especializada para analisar sua empresa e ver as melhores
formas de otimização de impostos e encargos.
Dica 1 – Seguindo
a lei
As leis tributárias e fiscais são complexas
e cheias de detalhes – o seu contador poderá
orientá-lo para que sua empresa otimize a carga
de impostos e encargos totalmente dentro da lei.
Antigamente os empresários não queriam
“perder tempo” entendendo as leis, e,
preferiam descumpri-las com artifícios como
“caixa2”, contratação não-CLT,
não emissão de nota fiscal, e outras
práticas que criavam um grande risco para a
empresa. As multas aplicadas pelo não cumprimento
da lei poderão falir o seu negócio.
Se você pretende submeter sua empresa para receber
investimentos (Venture Capital) esteja certo de que
não existe qualquer tipo de “passivo”
trabalhista, tributário ou fiscal, ou seja,
que sua empresa está trabalhando de maneira
totalmente regularizada.
Dica 2 – Regime
de apuração
O governo brasileiro permite dois tipos de regime
de apuração de imposto de renda: Lucro
Presumido e Lucro Real. Normalmente o seu contador
falará para você optar por Lucro Presumido.
Cuidado, peça para que ele faça uma
simulação com os dados da sua empresa
(previsão). A opção de Lucro
Real poderá ser bem mais vantajosa para sua
empresa, embora, dê muito mais trabalho para
seu contador. Entretanto se sua empresa for prestadora
de serviço, veja as vantagens do lucro presumido
em relação a taxação de
outros impostos que impactarão sobre seu faturamento.
Dica 3 – Impostos
por período
Alguns impostos são calculados sobre o faturamento
de um determinado período, por exemplo, o imposto
de renda para Lucro Presumido é calculado a
cada trimestre. Então, às vezes, será
bem mais vantajoso para sua empresa negociar com o
cliente para a entrega dos produtos e nota fiscal
no primeiro dia do próximo trimestre. Desta
forma você conseguirá diluir e “gerenciar”
a carga de impostos que você pagará no
trimestre com conseqüente otimização.
Dica
4 – Impostos por faixa de contribuição
Vou
utilizar o mesmo raciocínio da dica anterior.
Alguns impostos são calculados com base em
alíquotas que variam por faixa de faturamento
– em especial se sua empresa está no
“SIMPLES”. Então, se estamos em
Dezembro, às vezes pode ser vantajoso negociar
com o cliente para a entrega de produtos e faturamento
em Janeiro.
Parece
complicado? Não se assuste, o primeiro passo
é organizar as finanças da sua empresa.
Feito isso você verá que é muito
prático realizar as atualizações,
para então planejar e controlar eficientemente
o dinheiro da sua empresa.
O
erro mais comum que vejo nos planejamentos de marketing
é que eles só se preocupam em olhar
“para dentro de casa”. Antes de qualquer
coisa, você terá que analisar o que está
acontecendo e o que acontecerá “fora
da sua empresa”.
Fonte:
www.advancemarketing.com.br
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