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COMO COMPRAR UMA FRANQUIA DE ALIMENTAÇÃO
por
Ana Vecchi e Paulo Ancona Lopez
Quando se fala em franquia, a primeira idéia
que vem à mente é de uma franquia de
alimentação. Este é o setor clássico
para operar neste sistema e o de maior representatividade
em termos de empresas franqueadoras, com 23% do total
de franqueadoras.
Isto
significa que comprar uma franquia de alimentação,
significa clientes satisfeitos e retorno de investimento
garantido? Na verdade o resultado de uma franquia
de alimentação corre os mesmos riscos
de outras franquias e de outros negócios, contanto
porém com o aspecto positivo de que é
o setor que possui o maior know how por tantos anos
de desenvolvimento de suas redes.
Os
riscos serão sempre minimizados quando é
feita uma profunda análise do negócio
em si, seu conceito e a franqueadora que está
por trás, gerenciando a rede.
A
análise a ser feita deve abranger desde os
resultados médios de faturamento da rede, margem
de ganho quando comparados estes resultados às
despesas operacionais e condições mínimas
para uma boa operação, no que diz respeito
à localização e equipamentos
necessários.
Em
princípio, os riscos para a compra de uma franquia
de alimentação são os mesmos
que existem em qualquer negócio, com o detalhe
importantíssimo de que sua operação
é muito mais delicada, por envolver eventuais
dificuldades em prever e armazenar estoques de alimentos
e matérias primas. Sua logística é
mais complexa por questões de regras de estocagem,
manipulação de produtos, higiene, validade
de produtos e a segurança que se deve ter em
fornecer alimentos saudáveis ao público,
pela questão ética e moral, de imagem,
além das penalidades a que se está sujeito.
A compra de uma camiseta com defeito, que pode ser
trocada, não causa a milésima parte
do dano que causa um alimento estragado.
Por
outro lado, uma boa franquia de alimentação,
administrada com princípios e dedicação
é, quase sempre sinônimo de bons ganhos,
razão da força deste setor.
Muito
bem. Quem está pensando ou gostaria de pensar
em uma franquia de alimentação, é
preciso antes ter a certeza de que este é o
seu negócio e ele não será o
seu negócio pelo simples fato de você
gostar de uma boa pizza, adorar pães de queijo,
sonhar dia e noite com doces maravilhosos ou achar
que tem todo o jeito para "tocar um restaurante",
talvez porque seu cunhado adora seu churrasco....
Antes de mais nada é preciso saber diferenciar
o produto da franquia com o negócio em si e
muitas vezes o negócio, principalmente o negócio
que envolve alimentação, obriga a sacrifícios
maiores do que outros, pelo que, sem dúvida,
normalmente o retorno é maior e mais rápido.
Pense,
uma vez que tenha optado por este setor, se prefere
um negócio de porte, ou se seu perfil indica
um serviço delivery, sem atendimento direto
ao público. Pense ainda se este seu negócio
exigirá um volume de investimento que não
lhe trará problemas a curto e médio
prazo, enquanto atinge um faturamento padrão.
Quem
pensa neste setor deve saber ainda que será
preciso ter algumas habilidades para gerenciar pessoas,
gostar de atender o público, entender que é
importante cativar e fidelizar clientes e ter facilidades
para controlar os aspectos logísticos de abastecimento.
Quanto
ao abastecimento e compra de matérias primas,
a análise de um candidato a franqueado de alimentação,
deve se concentrar no suporte e no conceito da rede
quanto à política de fornecimento. Este
fornecimento feito pela franqueadora, pode ser somente
de uma lista de fornecedores sugeridos, ao outro extremo
onde tudo é enviado pronto ou pré-pronto,
de uma cozinha central.
Assim,
como em qualquer negócio, a previsão
das compras deve ser feita com extremo cuidado, sendo
que em alimentação, o risco de se perder
estoques é maior.
O
setor de alimentação tem o grande poder
de gerar demanda através de vários conceitos
de negócio, diferenciais para públicos-alvos
distintos, a partir da definição de
um mix de produtos e serviços e da comunicação
com o mercado, atendendo suas necessidades e tendências.
Existem
outros passos fundamentais a serem seguidos, para
que a decisão seja a de menor risco e mais
adequada ao perfil e expectativas do empreendedor.
O primeiro deles é levantar as marcas existentes
e analisar seus posicionamentos de mercado. Por exemplo,
se a marca está consolidada, é forte,
reconhecida e sinônimo de qualidade. Importante
conhecer qual o completo conceito de negócio:
fast food; delivery; mix de produtos enxuto ou variado,
comida típica, restaurante e entretenimento
juntos; self-service; restaurante por quilo; doces
e salgados, entre outros.
O
passo seguinte está em observar, dentre as
marcas e conceitos com os quais se identifique mais,
como a rede está formatada, se é uma
rede com produtos, serviços e projeto arquitetônico
padronizados, para que perfil de público atua
e o perfil das lojas.
Deve-se,
então, partir para uma análise mais
prática e próxima aos franqueadores.
E é importante ter em mente que franqueadores
e candidatos à franquia, passam por um processo
de seleção. Franqueador seleciona, avalia
e aprova candidatos à franquia e estes desenvolvem
o mesmo processo em relação à
empresa franqueadora e sua estrutura e suporte à
rede.
O
candidato é aprovado pela empresa após
uma seleção minuciosa de seu perfil
comportamental e profissional, disponibilidade de
capital, área de atuação desejada
condizente ao plano de expansão, intenção
de dedicação parcial ou total ao negócio.
Quanto mais criteriosa for essa seleção,
mais homogênea será a rede e, provavelmente,
a franqueadora muito profissional.
O
mesmo, ao entrar em contato com as franqueadoras,
deve procurar conhecer a estrutura organizacional,
que processos são bem claros e detalhados e
quais as funções que exercem junto à
rede, nível de experiência e know how,
como é feito o treinamento e sua carga horária,
quais os fornecedores, qual o nível de autonomia
permitido e o que isso representa (liberdade, criatividade
ou falta de suporte), benefícios obtidos por
fazer parte de uma rede, rentabilidade do negócio,
investimento e taxa de retorno, taxas cobradas e o
que remuneram, qual a estratégia de marketing
utilizada, que tipo de suporte operacional receberá
e com que freqüência.
Antes
de iniciar a negociação propriamente
dita, é importante conhecer franqueados em
operação, para avaliar o nível
de satisfação com o negócio,
com o franqueador, sua equipe e fornecedores. Levantar
quais são os aspectos críticos e com
que agilidade são trabalhados e superados.
Os franqueados procurados, em geral, revelam verdadeiramente
o potencial da franquia, a rentabilidade do negócio
e os aspectos negativos. Estes mais fortemente, como
fazemos diante de qualquer situação
comercial.
Os
aspectos que forem apresentados por vários
dos atuais franqueados, certamente representam uma
boa porcentagem da percepção da rede
e portanto a realidade. Casos muito específicos
podem caracterizar uma percepção individual
e nesse caso não devem ser levados em consideração.
Franquias
tem sido bons negócios e no caso de alimentação
possuem a vantagem de que "ninguém deixa
de comer".... isto já é um bom
começo !
Ana
Vecchi e
Paulo Ancona Lopez são sócios
da Vecchi & Ancona Consulting, empresa especializada
em estratégias, redes de negócios, e
geração de competências.
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