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LÍDER ATÉ O LIMITE
por
Sérgio Buaiz
Velocidade é uma palavra de ordem. A concorrência
tem mais recursos, mais capital e está alguns
passos na dianteira. O barco começa a virar
e a tripulação discute sobre as opções
que restam, para salvar a viagem e, principalmente,
suas peles.
Nesse momento, um marujo salta ao mar levando um bote
que salvaria outros três, e começa uma
discussão entre os “ainda” sobreviventes
do provável desastre, cada vez mais amedrontados
com a experiência.
De repente, outro marujo se lança ao mar, levando
mais um bote e mantimentos. Os traidores não
pensam em ninguém e a situação
para os que ficam é cada vez mais crítica.
Tubarões famintos começam a rondar o
barco e as ondas são cada vez maiores. Pelo
rádio, são alertados que uma grande
tempestade se aproxima. Não há qualquer
possibilidade de socorro nas próximas 24 horas.
O que fazer? Como controlar o medo? Como manter a
tripulação restante unida e comprometida
com seu melhor desempenho coletivo? Como evitar que
novas tentativas desesperadas e isoladas desperdicem
os últimos recursos que têm, comprometendo
ainda mais esse quadro? Como superar as condições
adversas e celebrar um novo amanhecer em segurança,
em companhia daqueles que confiam em você?
Não desperdice
a sua última chance
Quem nunca atravessou uma situação tensa
como essa, não sabe o que é viver no
ambiente corporativo. Quem nunca se preparou para
controlar emoções até o limite,
cairá bem antes que este limite se aproxime.
O ser humano médio costuma sofrer por antecipação
e entregar os pontos antes da hora, desperdiçando
as últimas chances que efetivamente tem, para
reverter um quadro negativo.
Infelizmente, é o que acontece na maioria das
vezes, quando as companhias são comandadas
por pessoas que nunca atravessaram uma tormenta. São
pessoas que se acostumaram com a fartura e o cenário
favorável, que não conseguem manter
o mesmo nível de energia, entusiasmo e excelência
diante de um cenário adverso.
Entretanto, muitas tragédias poderiam ser evitadas
se essas pessoas aprendessem que o “final”
quase sempre é relativo. Quando um ponto final
é colocado, normalmente existe ar e recursos
extras para mais alguns passos, porém a maioria
das equipes se deteriora antes que esses recursos
adicionais sejam empregados.
O desespero de situações limítrofes
costuma minar crenças e capacidades da maioria
das pessoas, reduzindo uma equipe extremamente vitoriosa
a um punhado de pessimistas, amedrontados e impotentes
que jogam a toalha antes do fim, porém tudo
isso pode ser contornado com uma verdadeira liderança.
Os resultados podem ser bem diferentes se o líder
do grupo tiver preparo, coragem, respeito e credibilidade
junto aos seus comandados, para promover uma mudança
total de foco e estimular a superação
individual de todos em prol de uma causa coletiva.
Se a equipe for de qualidade e estiver realmente comprometida
com a superação dos desafios, controlando
suas emoções e trabalhando arduamente
para vencer cada obstáculo, é praticamente
impossível que o barco vire. Se todos acreditarem
na capacidade do grupo e confiarem uns nos outros,
apoiando-se mutuamente para manter uma atmosfera de
entusiasmo até o limite, eu repito: é
praticamente impossível que o barco vire!
Confiança é
fundamental
Alcançar esse grau de excelência individualmente
não é fácil, mas bastam alguns
cursos de motivação, uma boa dose de
auto-estima e consciência de suas habilidades
para evitar que o desespero tome conta das emoções
antes da hora.
Entretanto, quando a sua excelência isolada
é insuficiente para salvar o chão em
que você pisa e o teto que te protege, as coisas
mudam completamente de figura. Surgem pensamentos
do tipo: “E se eu fizer tudo certo e o João
falhar com o prazo?”, “E se a Maria resolver
implicar com minhas idéias justamente agora?”,
“E se o Carlos não der tudo de si, como
disse que vai dar?”, “E se eu acabar carregando
o grupo nas costas?”, “E o meu reconhecimento,
como vai ficar?”
É por isso que o líder precisa contar
com uma boa dose de respeito e, sobretudo, credibilidade
diante dos seus comandados. É preciso confiar
e inspirar confiança nos outros jogadores,
pois se houver qualquer preocupação
nesse sentido, a equipe não terá o foco
necessário para concentrar todos os esforços
na mesma direção.
As interrogações e os “ses”
que surgem naturalmente em situações
críticas como essa, precisam ser derrubados
por uma crença fortalecedora de que tudo sairá
conforme o combinado.
Todos devem ter certeza de que vão cooperar
e serão recompensados com uma nova chance,
créditos e reconhecimento quando a crise for
superada. Caso contrário, a equipe não
estará suficientemente confiante, empenhada
e comprometida com os resultados coletivos.
Aqueles que não estiverem seguros do resultado
coletivo tendem a dedicar parte do seu tempo e potencial
para buscar soluções que salvem individualmente
suas peles, antes que o limite chegue de verdade.
Isso acaba reduzindo em muito as chances da vitória
coletiva.
Por isso, o grande desafio de qualquer executivo de
sucesso é garantir que sua equipe irá
permanecer unida, motivada e confiante, se empenhando
ao máximo, até o limite.
Sergio
Buaiz
sbuaiz@yahoo.com
publicitário, escritor, consultor e conferencista.
Autor do livro \"Marketing de Rede - A Fórmula
da Liderança\", é membro do Conselho
Editorial da Revista VENCER!, Embaixador da Universidade
do Sucesso e Diretor de Projetos da Comunidade BeFriends.
Site: www.buaiz.com
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