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A LOGÍSTICA DA SUA ORGANIZAÇÃO
ESTÁ PREPARADA PARA O COMÉRCIO ELETRÔNICO?
por
Olavo Tapajós
Essa talvez seja uma pergunta muito difícil
de ser respondida, levando em consideração
que as organizações ainda sentem muita
dificuldade em atuar na logística tradicional,
aquela logística que movimenta milhares de
containeres e paletes ao redor do mundo, buscando
atender as demandas originadas pelos consumidores
globais.
Ora,
se entendermos que a Internet está introduzindo
uma nova relação com o comércio
tradicional e ao mesmo tempo criando um novo relacionamento
com os clientes, estaríamos diante da consolidação
de um novo cenário de relação
mercantil virtual.
A
Internet e, em particular, a Word Wide Web com a sua
parte de multimídia, estão fortalecendo
uma comunicação virtual viável
para atingir um público globalizado e altamente
qualificado. Esta revolução tem o lado
soft ou on-line, que é o mais criativo, pois
envolve a criação de portais, home pages,
site e algumas estratégias de comercialização,
como: pagamento adiantado via ficha de compensação,
cartão de crédito, pagamento contra
entrega. A grande preocupação é
o lado hard ou off-line, que deve ser o mínimo
para atender a complexidade dos negócios que
serão fechados no comércio eletrônico.
Porém, o mundo empresarial, tem focado no aumento
da produtividade e competitividade, sem esquecer da
lucratividade do negócio. Observa-se que essa
euforia pode ameaçar os negócios virtuais,
pois a contabilidade pode não fechar positivamente.
Sabe-se que nos últimos anos as margens de
lucro estão sendo cada vez menores, forçando
um redesenho dos processos em busca da redução
dos custos totais visando a maximização
da rentabilidade.
Com
o aparecimento do comércio eletrônico
B2C (business to consumer), ou seja, relações
comerciais entre uma organização (CNPJ)
e um cliente (CPF), traz ao cliente uma certa comodidade,
por outro lado a necessidade de experimentar este
novo canal de distribuição que vem acompanhado
de certas particularidades como a seguir:
(a) incertezas jamais estimadas;
(b) processamento unitário;
(c) separação fracionada do pedido;
(d) embalagens especiais (pacotes); e
(e) expedição direta para a casa do
cliente (porta-a-porta).
Ao
analisar essas particularidades observa-se uma elevação
dos custos quando comparados com a logística
tradicional de embarques de caixas fechadas e faturamento
atrelado a lotes mínimos. Essas questões
são consideradas desafiadoras, pois a expectativa
dos clientes é de receber o produto ou o serviço
adquirido na mesma velocidade em que ele faz seu pedido
no www (via computador), tal como costuma fazer ao
solicitar um remédio ou mesmo uma pizza por
telefone no seu bairro. Outra questão que não
pode ser deixada de lado é nova disponibilidade
virtual, oferecendo 24 horas por dia, 7 dias por semana
e 365 dias por ano.
Todavia,
ainda não há uma compatibilidade com
os horários de entregas, principalmente quando
no local de entrega não tem ninguém
para receber no horário comercial. A grande
maioria dos condomínios horizontais e verticais
tem em suas normas internas horários rígidos
de recebimento de mercadorias, onerando os custos
com as reentregas. Logo, percebe-se que o custo total
para operar com eficiência e eficácia
no comércio eletrônico pode ser alto
o suficiente para que a operação seja
considerada inviável, pois mesmo o cliente
escolhendo um produto com um preço mais barato
do que nas lojas tradicionais, o frete pode ser o
grande diferencial para tornar a operação
sem atratividade.
Outro
aspecto que não pode ser desconsiderado é
a preocupação no ato da comercialização
da mercadoria a vinculação a um gerenciador
de estoque, que pudesse disponibilizar em tempo real
(on-line) a quantidade de produtos estocados, evitando-se
com isso o desprazer de informar ao cliente que sua
mercadoria não poderá ser atendida em
virtude da sua falta nos estoques ou que sua compra
sofrerá um atraso considerável, ou em
alguns casos não será mais entregue,
o que é muito pior, pois nesses casos o produto
já foi até pago, envolvendo o estorno
ou devolução de pagamentos, gerando
custos e desperdícios de tempo.
Portanto,
com evolução do comércio eletrônico
foi necessário repensar a forma de atendimento
dessa nova sistemática através da e-logística,
ou seja, a logística repensada sob a ótica
do comércio eletrônico, potencializando
o novo papel dos atacadistas, varejistas, distribuidores
e revendedores que serão responsáveis
pela satisfação dos clientes, ou seja,
a entrega do produto certo, no local certo, na hora
certa a um custo certo.
Finalizando,
a logística não pode ser apontada como
um problema e sim como uma solução e
nem poderia ser ao contrário, pois fugiria
da sua temática básica que é
"otimizar e racionalizar um processo produtivo,
levando-o até aos clientes com qualidade, com
responsabilidades sociais e ambientais, aos menores
custos possíveis". A idéia desse
artigo não foi polemizar e nem tão pouco
criticar a operacionalização do comércio
eletrônico e sim chamar a atenção
da importância da aplicação de
uma logística diferenciada para atender as
relações comerciais no mundo eletrônico.
Olavo
Tapajós
Engenheiro civil - doutorando no Programa de Planejamento
de Transporte
Fonte:
Jornal do Commercio/AM
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