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OS MEIOS USADOS PELO MARKETING DIRETO NÃO SE RESTRINGEM À MALA DIRETA

por Betinha Jote

- A VARIEDADE DE MEIOS DE COMUNICAÇÃO À DISPOSIÇÃO DO MARKETING DIRETO É MAIS ABRANGENTE DO QUE NO MARKETING DE MASSA

As agencias de propaganda e os meios de comunicação não precisam ter receio do crescimento do marketing direto e de suas aplicações – CRM, database marketing, marketing de relacionamento. O marketing direto pode e deve usar outros meios de comunicação quando isso for recomendável. A decisão deve ser baseada em critérios como o custo para se atingir o público alvo, o custo de uma venda, da geração de um lead, a necessidade de se captar nomes para montar bancos de dados, identificar potenciais clientes, a inexistência de listas, etc...

Um conhecido provedor de internet, por exemplo, poderia ter deixado de gastar milhões em CD’s promocionais com um simples anúncio com mecanismo de resposta em grandes redes de televisão (DRTV). Ao invés de distribuir indiscriminadamente o produto, causando desperdício e irritação, o enviaria apenas aos telespectadores que respondessem à proposta, seus clientes potenciais de fato. O mesmo pode ser feito com jornais e revistas quando o público dos veículos for o mais adequado ao objetivo da ação publicitária.

É importante ressaltar que o uso do marketing direto em mídias de massa como TVs, jornais e revistas requer uma mudança de postura e novos aprendizados dos profissionais de publicidade. Os filmes e os anúncios devem ser criados de forma totalmente diferente dos anúncios e comerciais que objetivam construção e lembrança de marca. A criação de uma peça de marketing direto, seja ela para a mídia que for, deve cumprir todas as tarefas e passos de uma venda: captar a atenção, envolver, convencer e motivar a ação imediata com argumentos emocionais e racionais. (O envolvimento emocional, em uma ação de marketing direto é fundamental, independente do público a ser atingido, pois o que leva às pessoas a se moverem é a emoção).

Todas as perguntas que alguém faria antes de tomar a decisão de compra devem ser respondidas e a resposta urgente deve ser estimulada com o oferecimento de algum tipo de vantagem – descontos, brindes, etc. Colocar um telefone no anúncio de marca, ou no comercial não basta. É preciso estimular a compra e facilitar ao máximo a comunicação com a empresa, oferecendo todas as formas possíveis de contato e pagamento.

O planejamento da mídia em campanhas de marketing direto também é diferente de um planejamento de campanha de marca. Ele tem que ser feito passo a passo. O “teste” de cada veiculo é importante. As respostas de cada inserção devem ser analisadas, num processo continuo, buscando maximizar os resultados.

Mas para que o marketing direto se desenvolva no Brasil, é preciso que os meios de comunicação também mudem sua forma de comercialização, oferecendo maior flexibilidade de negociação e deixando de lado o receio de que o anunciante não lhe conte os resultados. Se a resposta for boa e o custo o melhor, o anunciante vai querer usar o veículo sempre, ou pelo menos enquanto estiver dando resultado.

Alem disso, o aprendizado decorrente da relação com as agências/anunciantes poderá servir de argumento de vendas futuras: “Você viu o resultado que o nosso veiculo dá com esse tipo de publico? “ O seu concorrente está usando (ou uma empresa com o publico semelhante ao seu está usando), porque você não testa?”
As agências de propaganda, por sua vez, também podem tirar proveito do crescimento do marketing direto e suas aplicações, basta treinar adequadamente suas equipes de atendimento, criação e mídia para que aprendam a brifar, planejar, criar, desenvolver e veicular esse tipo de peça, ao invés de perderem o trabalho para outras agências ou criarem unidades próprias de marketing direto.

Cada vez mais as agências tem que se tornar agências de comunicação e não agências disso ou daquilo: agência de propaganda, agência de marketing direto, agência de internet, etc. É como se, no passado, tivéssemos tido agências de TV, agência de rádio, agências de outdoor. O desafio é considerável, principalmente em tempos de crise, como o atual. Mas é em cenários como esse, de controle de custos e pressão por resultados, que se tornam evidentes as diferenças entre empresas com futuro promissor pela frente e empresas de passado brilhante, mas incapazes de se adaptar a nova realidade. Quem viver, verá.

Betinha Jote
betinha.jote@incdobrasil.com.br
Fez Administração de Empresas e pós-graduação em Finanças na FGV, pós-graduação em Matemática e Estatística no ITA/INPE e Psicologia clínica na USP. É ex-Diretora de Desenvolvimento Educacional da ABEMD. Atualmente dirige o Instituto da Nova Comunicação - INC

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