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PRA QUÊ DINHEIRO?
por
Ana
Paula Pinheiro
“De jeito maneira
Não quero dinheiro
Eu quero amor sincero
Isso é que eu espero
Grito ao mundo inteiro
Não quero dinheiro
Eu só quero amar”
(Tim
Maia)
Foi-me
solicitado que escrevesse um pequeno texto sobre o
motivo pelo qual as pessoas trabalham. Primeiramente,
pensei: tema esdrúxulo. Mas como vou começar
a escrever sobre isso? Então, pensei em fazer
diferente. O que faríamos se não precisássemos
trabalhar? Como iríamos preencher nossas 24
horas do dia, dia após dia, sem precisar levantar
todos os dias de manhã para ir trabalhar, aturar
chefe reclamão, de mal com a vida, companheiros
de trabalho antiéticos, clientes se achando
os donos do mundo. Sonho de consumo...
Fácil,
pensei. Tenho um monte de coisas para fazer. Vamos
lá: iria à praia; curtiria um cinema
no meio da tarde; faria compras em shoppings vazios;
viajaria para onde eu quisesse, quando eu quisesse
e retornaria assim que eu achasse coisa melhor para
fazer. Veria TV durante os dias de frio, enrolada
no cobertor e comendo pipocas. Ou leria livros, toneladas
de livros. Ouviria CDs; assistiria a shows. Essa seria
a vida que pedi a Deus!
Mas,
então, de repente, me dei conta de que eu precisaria
comprar passagens de ônibus, livros, CDs, revistas,
além das despesas com eletricidade, alimentação,
moradia, vestuário, etc. E logo a inevitável
verdade veio à tona: eu precisaria de dinheiro
para tudo isso.
É
senso comum em nossa sociedade de que a principal
razão para se trabalhar é porque precisamos
de dinheiro. Muita gente concordaria com essa afirmação.
Mas a questão primordial é se o dinheiro
é realmente o motivo pelo qual tanta gente
passa grande parte do seu tempo trabalhando. É
pelo dinheiro que seguimos caminhando?
Pensando
um pouquinho mais sobre esse tema: o que é
o trabalho? Trabalhamos quando desenvolvemos um conjunto
de atividades, produtivas ou criativas, que o homem
exerce para atingir determinado fim. Então,
trabalhamos porque somos bons ou fazemos algo em especial.
E, também, porque existem outras pessoas que
não possuem esse conhecimento ou não
têm uma determinada habilidade, e precisam delas,
assim como nós precisamos das suas. Trabalhamos,
ainda, porque precisamos suprir nossa necessidade
de sobrevivência, de abrigo, proteção
e segurança. Ou, simplesmente, trabalhamos
para ter alguns “luxos” que fazem nossas
vidas um pouco mais agradáveis.
Pergunte
para seu chefe, seus colegas de trabalho, parentes,
vizinhos, amigos: porque você trabalha? Você
receberá várias respostas. Vou elencar
algumas que eu recebi. Eu trabalho porque:
•
posso utilizar minhas habilidades e conhecimentos
especiais;
• porque me sinto fazendo algo útil;
• Porque me mantenho ocupado e me ajuda a passar
o tempo;
• me permite ser criativo;
• me envolvo em uma variedade de tarefas;
• me permite conhecer um monte de gente;
• me permite viver novas experiências
e aprender coisas novas;
• me permite ver o resultado do meu esforço;
• me faz sentir responsável;
• me dá poder e influência sobre
outras pessoas;
• me dá a oportunidade de fazer amigos;
• me permite ajudar outras pessoas;
• me dá dinheiro;
• me permite estar com outras pessoas;
• me faz fazer atividades físicas;
• me permite contribuir com a comunidade a que
pertenço;
• me deixa controlar meu próprio tempo;
• me deixa satisfazer todas as minhas necessidades;
• me oferece chances de melhoria e/ou promoção;
• me permite ser conhecido e admirado por muitas
pessoas.
Destas
respostas o que podemos perceber? Que, incrivelmente,
dinheiro não é a principal resposta.
Pelo contrário, respostas de aspectos subjetivos
são mais freqüentes do que respostas com
aspectos materiais. E, mesmo aquelas que buscam um
retorno material, mascaram uma necessidade mais profunda,
que nenhum dinheiro poderia oferecer. A conclusão
a que podemos chegar é que as pessoas trabalham
para ganhar dinheiro, sim, mas porque elas querem
fazer coisas que gostam, querem ajudar outras pessoas,
querem mostrar à sociedade que são especiais
em algum aspecto, querem se sentir bem.
É por causa dessa necessidade de aceitação,
de sentimento de utilidade que as pessoas trabalham
em projetos sociais, fazem trabalhos voluntários
e se sentem compelidas a fazer caridade.
Temos que entender que as pessoas trabalham porque
precisam trazer um pouco de sentido e satisfação
pessoal para suas vidas. Trabalhar é algo que
define o ser humano, lhe dá uma sensação
de segurança, de auto-estima, fazendo com que
as pessoas se sintam competentes, poderosas e necessárias.
Em uma análise mais profunda, a satisfação
no trabalho, que é tão procurada em
ações de endomarketing e pesquisas de
clima, está embutida neste conceito. Mesmo
que seu trabalho lhe renda uma fortuna, ou simplesmente
o suficiente para viver, isso é menos importante
do que, ao final do seu dia, você ter a plena
certeza de que contribuiu com alguma coisa, e que
seu trabalho é importante e foi bem feito.
E é para isso que as pessoas trabalham.
Ana
Paula Pinheiro
Psicóloga, atuando há 10 anos na área
de RH, Comunicação Interna e Eventos.
É idealizadora e coordenadora do grupo Universo
RH.
http://br.groups.yahoo.com/group/universoRH
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